21 de jul de 2009

O Projeto Análise Econômica dos Sistemas de Produção Familiar Rural no Estado do Acre

Um dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais, agricultores, seringueiros, índios é compatibilizar a possibilidade de sua existência e reprodução em um ambiente natural rico em diversidade biológica, com um conjunto de limitações definidas como políticas governamentais, impostas pelo desafio de produzir de forma sustentável. O Acre sobre com a distância dos grandes centros, infra-estrutura de serviços precárias, além de sérios problemas com relação a saúde e educação.

Na busca de alternativas, o Departamento de Economia da Universidade Federal do Acre - UFAC, criou em novembro de 1996, o Projeto Análise Econômica dos Sistemas de Produção Familiar Rural no Estado do Acre (ASPF) , para analisar os sistemas de produção, verificando de forma meticulosa o que é produzido, como, em que condições, receitas e despesas dos produtores. Esse esforço gerou um conhecimento dos sistemas de produção familiar, de agricultores e de extrativistas que permite fazer proposições ao governo e produtores da combinação desses sistemas, permitindo um melhor aproveitamento de recursos e o cumprimento dos objetivos globais, desafios desse século.

O Projeto encontra-se sob a coordenação do economista Raimundo Cláudio Gomes Maciel, que nos concedeu uma entrevista sobre o trabalho que vem sendo realizado.

O que é o ASPF e como ele tem contribuído para o debate sobre a questão
ambiental?


Raimundo Cláudio: O projeto Análise Socioeconômica de Sistemas de Produção Familiar rural no estado do Acre (ASPF) é desenvolvido pelo departamento de Economia da UFAC. Foi criado justamente para contribuir na geração, análise e difusão de informações socioeconômicas e ambientais relacionadas aos colonos, ribeirinhos, seringueiros etc. As contribuições do ponto de vista ambiental podem ser evidenciadas a partir do levantamento e sistematização de diversos indicadores ambientais do ambiente rural acreano, tais como formas de uso da terra, recursos hídricos, saneamento, geração e destino de resíduos sólidos (lixo), entre outros, disponíveis em um banco de dados, cujos principais relatórios estão acessíveis à sociedade em geral em nosso site: . Ademais, temos várias publicações, entre artigos, dissertações e teses, que utilizam nosso banco de dados para discutir as questões ambientais, como causas dos desmatamentos na Amazônia, necessidade de valoração ambiental, política ambiental etc.

Um dos objetivos do projeto é propor políticas públicas, quanto aos cidadãos e sua atuação, o que tem sido feito?

Raimundo Cláudio: Um dos objetivos específicos do ASPF é justamente subsidiar as políticas públicas, bem como as próprias comunidades florestais da região. Dentre as políticas públicas trabalhadas com dados e equipe do próprio projeto ASPF é importante citar: a incorporação das Ilhas de Alta Produtividade como política pública estadual, no primeiro mandato do governo da floresta, 1999-2002; O planejamento dos primeiros pólos agroflorestais do estado do Acre, em meados dos anos 2000; A proposta de atualização dos valores previstos na Lei Chico Mendes, que prevê o pagamento de serviços ambientais aos seringueiros, em 2008, a ser implementada em 2009.

Quais as perspectivas de colaboração do ASPF com projetos semelhantes, na Amazônia e fora dela?

Raimundo Cláudio: Atualmente temos parcerias com projetos/instituições importantes, tais como Parque Zoobotânico da UFAC e SEBRAE, atuando em diversas áreas (avaliação econômica de produtos florestais, estudos de mercado etc.). Ademais, tivemos um bom contato com uma equipe de professores da UFPA, que trabalha com agricultura familiar. Ressalta-se que participamos de um módulo de um curso de especialização realizado pela referida instituição, apresentando nossa experiência, ficando indicadas possíveis colaborações futuras. Claro que um fator determinante nessas parcerias é a disponibilidade de recursos financeiros, que notadamente continua escasso em nossa região.

Fale sobre o trabalho que vocês apresentarão no VIII Congresso de Economia Ecológica.

Raimundo Cláudio: O artigo que foi submetido para apreciação e posterior apresentação no referido congresso versa sobre a problemática do lixo rural, em particular, como estamos na Amazônia, da sua disposição no ambiente florestal. A importância da discussão pode ser evidenciada quando se afirma que a coleta e manejo adequado do lixo nas florestas são praticamente inexistentes e que, portanto, vislumbram-se sérios riscos de deterioração dos recursos ambientais. Assim, busca-se levantar o debate em torno do tema e sensibilizar as políticas públicas para a resolução dessa questão face aos discursos referentes ao desenvolvimento sustentável na Amazônia.



Raimundo Cláudio Gomes Maciel é economista, doutor em Economia Aplicada, com área de concentração em Meio Ambiente, Professor Adjunto do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas, departamento de Economia, área de gestão de recursos naturais, da Universidade Federal do Acre (UFAC). Contatos: (68) 3901-2665; (68) 9961-0368; e-mail: rcgmaciel@ufac.br ou rcgmaciel@bol.com.br

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